Lançado em 17 de fevereiro de 2025 para PC, Nobody Nowhere é um jogo de aventura side-scrolling 2D com grande foco na narrativa.

Desenvolvido pelo dev solo chinês Tag:hadal, o game se passa em um futuro distópico e apresenta uma interessante proposta de ser menos um jogo convencional, com foco em gameplay, e mais uma experiência interativa, uma história para fazer o jogador refletir.

Conheça o game e veja o que achamos abaixo.

Um poema visual

Nobody Nowhere é uma experiência interativa que desafia as convenções dos jogos narrativos, mergulhando o jogador em um ambiente onírico e desolado, onde a solidão e a reflexão existencial se tornam os pilares centrais da jornada.

O jogo se destaca não apenas por sua estética minimalista e atmosfera melancólica, mas também por sua abordagem introspectiva, convidando o jogador a questionar não apenas o mundo apresentado, mas também sua própria relação com o vazio e a ausência.

A narrativa do game é fragmentada, quase como um poema visual. O jogador assume o papel de uma entidade sem nome, vagando por paisagens surrealistas que alternam entre cenários urbanos abandonados e vastidões naturais intocadas.

Não há diálogos tradicionais ou objetivos claros; em vez disso, a progressão se dá por meio da exploração e da descoberta de pequenos fragmentos de memória, textos cifrados e símbolos que, pouco a pouco, constroem uma história sobre perda, isolamento e a busca por um sentido em um mundo que parece ter seguido em frente sem o protagonista.

Nobody Nowhere
Reprodução/Tag:hadal

Cenários e trilha sonora

A ambientação é um dos pontos mais fortes do jogo. Tag:hadal demonstra um cuidado excepcional na construção de espaços que, embora vazios, transbordam significados. As texturas desbotadas, a iluminação suave e a paleta de cores reforçam a sensação de desolação, enquanto sons ambientais — como o vento assoviando entre ruínas ou o eco distante de passos — aumentam a imersão.

Sua trilha sonora, composta por drones melancólicos (um estilo musical majoritariamente minimalista) e pianos espaçados, complementa perfeitamente a experiência, criando um ritmo meditativo que encoraja o jogador a parar e absorver o ambiente, em vez de correr para um objetivo.

Nobody Nowhere
Reprodução/Tag:hadal

Mecânicas simplistas

Do ponto de vista mecânico, Nobody Nowhere é deliberadamente simples, quase como um contraponto à complexidade emocional que propõe. O jogador pode caminhar, interagir com alguns objetos e, ocasionalmente, resolver pequenos quebra-cabeças que, embora não sejam desafiadores, servem como metáforas para os temas centrais do jogo — a reconstrução de memórias, a aceitação do passado e a tentativa de encontrar conexões em um mundo fragmentado.

Essa simplicidade pode ser interpretada como uma escolha arriscada, já que alguns jogadores podem achar a experiência muito lenta ou pouco gratificante no sentido tradicional. No entanto, é justamente essa ausência de recompensas imediatas que reforça o tema da solidão: como em situações reais de isolamento, o jogador precisa encontrar seu próprio propósito naquela paisagem vazia.

Nobody Nowhere
Reprodução/Tag:hadal

Veredito

Nobody Nowhere não é uma experiência para todos, e sua narrativa aberta pode frustrar aqueles que preferem histórias mais diretas. Além disso, a falta de um enredo explícito pode fazer com que alguns jogadores sintam que sua jornada não teve um “sentido” claro, mas é possível argumentar que essa ambiguidade é intencional — o jogo não quer fornecer respostas, mas sim provocar perguntas.

Em última análise, Nobody Nowhere é uma obra que ressoa mais como uma peça de arte interativa do que como um jogo convencional. Sua força está na maneira como consegue traduzir emoções complexas — saudade, solidão, a busca por identidade — em uma experiência sensorial e introspectiva.

Tag:hadal cria um mundo que, embora vazio, está repleto de significados ocultos, desafiando o jogador a preencher as lacunas com suas próprias interpretações. Não é um jogo sobre chegar a algum lugar, mas sobre estar perdido e, ainda assim, encontrar beleza nessa desorientação. Para quem está disposto a se entregar a essa jornada contemplativa, Nobody Nowhere oferece uma experiência profundamente memorável e emocionalmente impactante.

Nobody Nowhere
Reprodução/Tag:hadal

Nobody Nowhere já está disponível para PC.

*Chave para PC para análise cedida por Tag:hadal

REVER GERAL
Enredo
Direção
Trilha Sonora
Jogabilidade
Design
Matheus
Fã de Yu-Gi-Oh!, Drakengard/NieR e Tomb Raider. Nas horas vagas, analista de Relações Internacionais e professor de inglês.
critica-nobody-nowhere-apresenta-uma-experiencia-especial-sobre-solidao-e-busca-por-significado-da-vidaNobody Nowhere é uma obra que ressoa mais como uma peça de arte interativa do que como um jogo convencional. Sua força está na maneira como consegue traduzir emoções complexas — saudade, solidão, a busca por identidade — em uma experiência sensorial e introspectiva. Tag:hadal cria um mundo que, embora vazio, está repleto de significados ocultos, desafiando o jogador a preencher as lacunas com suas próprias interpretações. Não é um jogo sobre chegar a algum lugar, mas sobre estar perdido e, ainda assim, encontrar beleza nessa desorientação.